Quem Foi que Inventou o Brasil? Vol. I – De 1902 a 1964 – Franklin Martins.
Quando a música popular conta a história do Brasil
Quem Foi que Inventou o Brasil? – A Música Popular Conta a História da República – Volume I: De 1902 a 1964, de Franklin Martins, apresenta uma maneira original de percorrer mais de seis décadas da história brasileira: através das canções produzidas em cada período.
Publicado pela Nova Fronteira em 2015, o primeiro volume acompanha o país desde o início das gravações fonográficas, em 1902, até a deposição do presidente João Goulart, em 1964.
Ao longo desse percurso, política, sociedade e música popular aparecem constantemente relacionadas.
Dessa forma, acontecimentos que normalmente encontramos nos livros de história reaparecem através das vozes de compositores e intérpretes de diferentes épocas.
A música como testemunha de seu tempo
Canções populares podem divertir, emocionar e fazer dançar.
Entretanto, também podem registrar acontecimentos, personagens e conflitos de uma sociedade.
Franklin Martins parte justamente dessa relação.
O autor recupera composições inspiradas por episódios políticos e sociais e as coloca em diálogo com o contexto em que foram criadas.
Assim, a música transforma-se também em documento para compreender diferentes momentos da República brasileira.
O Brasil a partir de 1902
O recorte começa em 1902, período das primeiras gravações fonográficas realizadas comercialmente no Brasil.
A novidade tecnológica permitiu que vozes e músicas passassem a circular de outra maneira.
Ao mesmo tempo, o país vivia as primeiras décadas da República.
A política, os costumes e os acontecimentos públicos rapidamente encontraram espaço nas canções populares.
A República Velha em versos e melodias
As primeiras décadas republicanas forneceram abundante material para compositores.
Personagens públicos, eleições, disputas políticas, acontecimentos urbanos e transformações sociais apareceram em diferentes gêneros musicais.
Humor e sátira tiveram presença marcante.
Nesse sentido, as canções também funcionavam como comentários sobre o cotidiano e os assuntos que mobilizavam a população.
A Revolução de 1930
A chegada de Getúlio Vargas ao poder em 1930 marca outra etapa importante do percurso apresentado pelo livro.
As transformações políticas do período também encontraram repercussão na produção musical.
Canções podiam elogiar, criticar, brincar ou simplesmente registrar acontecimentos e personagens.
Por isso, observar essas composições permite acompanhar não apenas os fatos, mas também diferentes maneiras pelas quais eles circularam no imaginário popular.
A Era Vargas
A longa presença de Getúlio Vargas na política brasileira aparece em diferentes momentos da obra.
O período inclui profundas mudanças institucionais, sociais e econômicas, além do Estado Novo, entre 1937 e 1945.
Ao mesmo tempo, o rádio ganhou enorme importância na vida cultural brasileira.
Política e música popular encontraram, portanto, novos espaços de circulação.
O Brasil e a Segunda Guerra Mundial
A participação brasileira na Segunda Guerra Mundial também chegou às canções.
A entrada do país no conflito, a mobilização da sociedade e o envio da Força Expedicionária Brasileira produziram referências na cultura popular.
Dessa maneira, acontecimentos internacionais passaram a integrar também o repertório musical brasileiro.
A música registrava novamente seu próprio tempo.
O fim do Estado Novo e a redemocratização
Com o fim do Estado Novo em 1945, o Brasil entrou em outro período político.
Eleições, novos partidos, campanhas e debates públicos voltaram a ganhar espaço.
As músicas continuaram acompanhando essas mudanças.
Além disso, o desenvolvimento do rádio e da indústria fonográfica ampliava cada vez mais a circulação dos artistas e de suas canções.
Getúlio Vargas e 1954
Um dos acontecimentos políticos mais marcantes abordados no período coberto pelo volume é a morte de Getúlio Vargas, em 1954.
O episódio teve grande repercussão nacional e também encontrou expressão na música popular.
Canções registraram emoções, interpretações e referências ao acontecimento.
Nesse contexto, a música permite observar também a dimensão cultural da repercussão de um fato político.
Os chamados anos dourados
A segunda metade dos anos 1950 ficou associada a intensas transformações econômicas, urbanas e culturais.
O governo de Juscelino Kubitschek, a construção de Brasília e o desenvolvimento de novas formas de consumo e sociabilidade marcaram o período.
A música brasileira também atravessava mudanças.
Assim, transformações políticas e culturais aparecem lado a lado na narrativa.
Música, humor e comentário político
Uma das riquezas do livro está em revelar como os compositores responderam aos acontecimentos.
Nem sempre essa resposta assumia a forma de uma declaração política direta.
Muitas vezes surgia através da sátira, do duplo sentido, da paródia e do humor.
Por conseguinte, as canções permitem observar diferentes maneiras de comentar a vida pública brasileira.
De 1902 a 1964
O primeiro volume encerra seu percurso em 1964, com a ruptura institucional que depôs o presidente João Goulart e deu início ao regime militar.
O acontecimento estabelece também a passagem para o segundo volume da trilogia.
Desse modo, este livro cobre mais de seis décadas de história brasileira através de uma combinação pouco convencional: acontecimentos históricos e repertório musical.
História para ler e também imaginar ouvindo
A estrutura da obra aproxima-se de um grande almanaque histórico-musical.
Fotografias, reproduções, referências às canções e contextualização histórica ajudam o leitor a percorrer diferentes épocas.
Além disso, o livro pode estimular outra experiência: procurar e ouvir as músicas mencionadas enquanto se acompanha a narrativa.
A leitura passa, então, a dialogar diretamente com os sons de cada período.
Franklin Martins e uma extensa pesquisa
Para desenvolver Quem Foi que Inventou o Brasil?, Franklin Martins realizou uma ampla pesquisa sobre as relações entre música popular e política brasileira.
O projeto resultou em uma trilogia que acompanha a República ao longo do século XX e chega ao início do século XXI.
No conjunto da pesquisa, foram identificadas mais de mil composições relacionadas a episódios ou personagens da vida política brasileira.
Por isso, a obra também funciona como amplo levantamento de memória musical e histórica.
Um livro para diferentes leitores
O volume interessa aos leitores de história do Brasil, música popular brasileira, cultura, comunicação e memória.
Também pode ser especialmente útil para professores, estudantes e pesquisadores interessados na utilização da música como fonte histórica.
Sobretudo, oferece uma maneira diferente de percorrer acontecimentos muitas vezes conhecidos.
Aqui, a história não aparece apenas em datas, documentos e discursos.
Ela também aparece em versos, melodias, sátiras e canções.
Dados da obra
Título: Quem Foi que Inventou o Brasil? – A Música Popular Conta a História da República
Volume: I – De 1902 a 1964
Autor: Franklin Martins
Editora: Nova Fronteira
Local: Rio de Janeiro
Ano: 2015
Edição: 1ª edição
Paginação: aproximadamente 640 páginas
ISBN: 9788520923672
Apresentação: brochura
Idioma: português
Características: obra ilustrada, com índice e referências bibliográficas
Temas: música popular brasileira, história do Brasil, República brasileira, política, cultura, memória, Era Vargas, Segunda Guerra Mundial e história da música.
Estado de Conservação
Exemplar seminovo em excelente estado de conservação.
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Em síntese, a Livraria Meu Rio de Todos os Tempos apresenta uma obra que aproxima duas grandes formas de preservar a memória de um país: a história e a música. Em Quem Foi que Inventou o Brasil?, acontecimentos da República brasileira encontram as canções que os registraram, comentaram e transformaram em memória cultural.
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